Crônica de um corredor de Natal
A maior glória de um corredor é nunca parar, mesmo quando a dor, o cansaço e o desânimo se tornam companheiros na caminhada. Seus pés valentes lutam para dar um passo a mais, apenas mais um passo. E assim, lutando e guerreando ele vai até cruzar a linha de chegada. Eu sei muito bem o que isto significa. E um tal “cabra da peste” de Natal sabe também. Na metade da prova ele buscava forças e motivação para terminar a Meia Maratona (21 km). O mais surpreendente era que todos que passavam por ele (um homem idoso) se sentia motivado também ao ouvi-lo esbravejar seguidamente para si mesmo: “não para não seu cabra da peste você saiu, vai ter que chegar”. Ele chegou. Enquanto corria, parecia se alimentar das palavras da escritora Ana Jácomo:
O que revela a nossa força não é sermos imbatíveis, incansáveis, invulneráveis. É a coragem de avançar, ainda que com medo. É a vontade de viver, mesmo que já tenhamos morrido um pouco ou muito, aqui e ali, pelo caminho. É a intenção de não desistirmos de nós mesmos, por maior que seja às vezes seja tentação [...]
Não para não. Você também vai chegar.
Forte abraço.
Te espero na linha de chegada.