DEUS ME LIVRE DE SER UM GUERREIRO

Certa feita, perguntei a um amigo como ele estava. Ele me disse que estava lutando, mas que ultimamente, a luta tinha virado uma guerra. Uma guerra, como assim? Será que a vida é uma guerra? Será que os relacionamentos se desenvolvem nesta dinâmica? 

Não podemos negar: existem muitos casais vivendo em estado de guerra há anos sem nenhuma possibilidade de trégua; existem muitas torcidas organizadas de clubes de futebol em pé de guerra. Isto sem falar na guerra que ocorre todos os dias no trânsito das grandes cidades; na guerra entre as gangues pelo controle do tráfico de drogas e assim por diante. Eu sei que existem muitos países em guerra, sobretudo, nos continentes africanos e no Oriente Médio.



No entanto, eu tenho por mim que que a vida não é uma guerra. Não é correta a metáfora de que devemos matar um leão por dia apesar de entender que precisamos ter coragem, determinação, força, disciplina, comprometimento, etc., para alcançar nossas metas e objetivos.

Não compartilho da ideia de chamar alguém de guerreiro (a). O que um guerreiro pensa? Na guerra. Qual é a lógica predominante em uma guerra? Sobrepor ao outro, subjugar o adversário, conquistar, dominar, matar, tomar posse do território, etc. Esta mentalidade é medieval e se justificava para exerce domínio e controle sobre pessoas e territórios como forma de expansão e manutenção do poder. 

Fomos doutrinados a perceber o mundo como uma luta onde temos que ser guerreiros, afinal de contas, a vida é dura e nada vem fácil. A coisa é sutil mas esconde um grande perigo: querem nos preparar sempre para a batalha como se tudo fosse uma luta onde nossa única obrigação é vencer, afinal o mundo é extremamente competitivo e somente os homens de natureza indômita vencem. Será que apenas os grandes, os fortes, os poderosos, os mais rápidos e inteligentes são os que vencem sempre?

Não podemos mais alimentar a lógica de eliminar o concorrente, de matar um leão por dia e de transformar o picadeiro da vida em um campo de guerra. Você sabia que em uma guerra não existem vencedores e perdedores; todos são perdedores? 

Que tipo de mentalidade e comportamento deve prevalecer nos dias atuais? Acredito que deve ser a mentalidade de um missionário, de alguém que vive para cumprir a sua missão de vida que é a de ajudar, promover e afirmar o outro. O maior missionário da humanidade nunca liderou pela força do medo, da imposição, da coerção ou do constrangimento. Ele jamais colocou uma arma em suas mãos. Ao invés de tirar a vida de seus inimigos ele deu a sua em favor deles. No lugar da violência e do ódio ofereceu paz, amor e compreensão. Certa feita, quando estava prestes a ser crucificado em uma cruz, um de seus discípulos cortou a orelha de um soldado romano. O que o Mestre dos Mestre fez? Ele restitui a orelha ao seu estado original dizendo que sua missão era de paz. Jesus Cristo jamais foi um guerreiro, pelo contrário, Ele foi um missionário da paz e do amor, um sacerdote, um promotor de vida, de graça e de esperança. 

Precisamos de um novo modelo mental. 

a) Experimente substituir o trabalhar duro, por trabalhar apaixonadamente;
b) O ser melhor que os outros pelo fazer o melhor por você mesmo;
c) Troque o ser guerreiro por ser fluido;
d) Substitua a ansiedade e o estresse pela confiança plena em Deus;
e) Ao invés de ficar zangado, ria;
f) Ao invés de ser duro seja flexível, pois, sem resistência não há conflito.
g) Ao invés de discordar de maneira ríspida, comece concordando e apresente outra maneira de pensar sobre a questão. (Cuidado com a expressão MAS. Você está certo, mas...)

Se algo tiver que ser realizado com muito esforço e peso, preste atenção: pode ter alguma coisa errada. Não é assim que o universo opera. A vida precisa acontecer de maneira mais leve e fluída. O jugo de Jesus é suave e o seu fardo é leve. (Mt 11:30)

Não sou um guerreiro. Já faz muito tempo que recolhi as armas para poder oferecer flores, amizade,flexibilidade, fluidez... amor.