Vivemos em um mundo animal

Em nossos dias, o exemplo dos animais está muito presente nos provérbios populares que utilizamos diariamente para nos comunicar com os outros. Quem nunca ouviu ou pronunciou alguns destes provérbios populares?

· Bezerro que abandona o bando cai no papo da onça.
· Camarão que dorme, o mar leva.
· Mais vale um pássaro na mão do que dois voando.
· Uma andorinha só não faz verão.
· Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.


· Enquanto dormem os gatos, comem os ratos.
· De cavalo dado não se olha os dentes.
· Formiga, quando quer se perder, cria asas.
· Dois galos não cantam num só terreiro.
· Galo fecha os olhos, quando canta, porque sabe a música de cor.
· Em terreiro que não tem galo quem canta são os frangos e os franguinhos.


· Galinha que canta primeiro é a dona dos ovos.
· Galinha que acompanha pato acorda no fundo do lago.
· Papagaio que fala muito é o primeiro a ser vendido.
· Quem fala muito dá bom-dia a cavalo.
· Peru morre na véspera.
· Cão que ladra não morde.
· Quem não tem cão caça com gato.
· Cada macaco no seu galho.
· Quem nasceu para peru nunca vai ser águia.
· Se bater na madeira mandasse o azar embora, o pica-pau não estaria em extinção.
· Em lagoa que tem piranha jacaré nada de costas.
· Caiu na rede é peixe.
· Filho de peixe peixinho é.
· A cobra maior engole a menor.
· Em onça morta até cachorro urina.
· É melhor ser cabeça de sardinha que bumbum de tubarão.

Além desses provérbios (sei que existem outros), não podemos ignorar a presença de algumas sentenças que nos valemos em nosso cotidiano, como por exemplo:

· Estou como um peixe fora da água
· Vender o peixe
· O mar não está para peixe
· Pagar o pato
· Engolir sapos
· Coar mosquito, engolir camelo
· Pulga atrás da orelha
· Chapéu de touro
· Em papos de aranha
· Um olho no gato e outro no passarinho
· O pulo do gato
· Gato pingado
· A vaca foi para o brejo
· Fazer uma vaquinha
· Mão de vaca
· Olha o passarinho!
· Dose para cavalo
· Caiu do cavalo
· Lavar a égua
· Amarrar o burro
· Dar com os burros n'água
· Deu zebra
· Fulano é um tubarão ou um dinossauro
· Olhos de águia
· Ela (ele) é uma cobra
· Anda como uma lesma ou tartaruga
· Tirar o cavalo da chuva
· Lágrimas de crocodilo
· Memória de elefante
· Elefante branco
· Abraço de urso
· Amigo da onça
· É cobra comendo cobra
· Estômago de avestruz
· Acordo leonino
· Falar como uma gralha, araponga ou papagaio
· Ovelha negra da família
· Espírito de porco
· Bode expiatório
· No tempo da onça
· O canto do cisne
· Pensando na morte da bezerra
· Se comportar como uma mula

O que falar dos tratamentos carinhosos que utilizamos diariamente, como: gata, gato, filhote, pombinha, pombinho, pantera, leãozinho, garanhão, tigre, tigresa, dentre outros? Mas, infelizmente, existe também o outro lado da questão: usar nomes de animais como metáforas pejorativas do ser humano. Exemplos: “hipopótamo”, “elefante” e “baleia” são designações comuns a pessoas muito gordas, obesas. Uma criança muito pequena e um indivíduo muito magro e baixo podem ser chamados de “mosquitos”. Uma pessoa magra e feia (muitas vezes mulher) em algumas regiões do Brasil é uma “lagartixa”, e em Portugal, uma “cegonha” ou uma “enguia”. “Girafa” é apelido comum de pessoas muito altas, geralmente com pescoço comprido. Percebe-se que analogias são muito comuns em língua. Já “marreco”, além de ser usado para se referir a uma pessoa astuta, designa o indivíduo corcunda. [1]
E tem mais: os sobrenomes de animais que muitos de nós carregamos, como, por exemplo: Cordeiro, Bezerra, Coelho, Aguiar, Dourado, Lobo, Ganso, Pato e assim vai. Isto, sem falar daquelas cidades que levam nomes de aves e animais. No Brasil encontramos: Pato Branco - PR, Cascavel - PR, Arapongas - PR, Tubarão - SC, Cachorrinho - AP, Birigui[2] - SP, Gado Bravo - PB, Ariranha – SP, Falcão – RJ, Gafanhoto – CE, etc.
Como podemos verificar, vivemos num mundo animal. A constatação é óbvia: os animais fazem parte da vida da gente a muito tempo, alias, o tempo todo.



[1] CARDOSO, E. A. É o bicho! Virou uma constante cultural usar nomes de animais como metáforas pejorativas do ser humano. Língua Portuguesa. v. 21, 2007. p. 60-61.
[2] Mosquito pequeno.