· A pulga faz do cão um guitarrista.
· O gato tem, desde criança, os bigodes brancos.
· As serpentes são as
gravatas das árvores.
·Os bebês saúdam a si
mesmos dando as mãos e os pés.
· Quem nasce não sabe
onde acorda.
. O peixe está sempre de perfil
. A gasolina é o incenso da civilização.
Certa noite minha filha (Ester), na época com
8 anos de idade, me surpreendeu ao dizer-me que havia descoberto por que as
estrela não caiam do céu. Disse ela: "Pai, as estrelas não caem do céu porque
estão grudadas nas mãos de Deus". Em outra ocasião, quando retornava com minha
família de um passeio nos deparamos com os sinais do semáforo todos piscando
intermitentemente. De dentro do carro, meu filho Heitor, que é um ano mais novo
do que Ester, soltou uma pérola: - "Pai, por que os semáforos estão todos brincando ?" Hoje, tenho um novo olhar quando contemplo as estrela e os
semáforos. E com orgulho digo: - Foram meus filhos foram os inventores. . O peixe está sempre de perfil
. A gasolina é o incenso da civilização.
Um amigo compartilhou isso comigo: “ Na
BR 364 a Thaís, 4 anos, viu uma placa sinalizando que havia quebra-molas e disse: “Isto quer dizer 'cuidado com os piratas'." O desenho
lembra um chapéu de pirata.
As crianças são excelentes nisso. Javier Naranjo, professor
colombiano, passou dez anos coletando definições de seus alunos (zona rural) e,
como resultado, obteve um dicionário com verbetes ao mesmo tempo puros, lógicos
e reais. O livro se chama: “Casa das estrelas: o universo
contado pelas crianças.” Um capítulo do livro está fazendo o maior
sucesso: dicionário feito por crianças, que traz cerca de 500
definições para 133 palavras, de A a Z. Para o professor, as crianças têm
uma lógica diferente, uma maneira própria de entender o mundo e de revelar
muitas coisas que os adultos já esqueceram. [1]
Confira a seguir alguns dos verbetes encontrados
no livro que retrata esse novo olhar sobre pessoas e coisas:
· Adulto: Pessoa
que em toda coisa que fala, fala primeiro dela mesma (Andrés Felipe Bedoya, 8
anos)
· Ancião: É
um homem que fica sentado o dia todo (Maryluz Arbeláez, 9 anos)
· Água: Transparência
que se pode tomar (Tatiana Ramírez, 7 anos)
· Branco: O
branco é uma cor que não pinta (Jonathan Ramírez, 11 anos)
· Camponês: um camponês não tem casa, nem dinheiro. Somente seus filhos (Luis
Alberto Ortiz, 8 anos)
· Céu: De
onde sai o dia (Duván Arnulfo Arango, 8 anos)
· Colômbia: É uma partida de futebol (Diego Giraldo, 8 anos)
· Dinheiro: Coisa de interesse para os outros com a qual se faz amigos e, sem ela,
se faz inimigos (Ana María Noreña, 12 anos)
· Deus: É
o amor com cabelo grande e poderes (Ana Milena Hurtado, 5 anos)
· Escuridão: É como o frescor da noite (Ana Cristina Henao, 8 anos)
· Guerra: Gente
que se mata por um pedaço de terra ou de paz (Juan Carlos Mejía, 11 anos)
· Inveja: Atirar
pedras nos amigos (Alejandro Tobón, 7 anos)
· Lua: É
o que nos dá a noite (Leidy Johanna García, 8 anos)
· Mãe: Mãe
entende e depois vai dormir (Juan Alzate, 6 anos)
· Paz: Quando
a pessoa se perdoa (Juan Camilo Hurtado, 8 anos)
· Sexo: É
uma pessoa que se beija em cima da outra (Luisa Pates, 8 anos)
· Solidão: Tristeza
que dá na pessoa às vezes (Iván Darío López, 10 anos)
· Tempo: Coisa
que passa para lembrar (Jorge Armando, 8 anos)
· Universo: Casa das estrelas (Carlos Gómez, 12 anos)
· Violência: Parte ruim da paz (Sara Martínez, 7 anos)
Ao escrever, duas
coisas são fundamentais: as palavras com seu peso exato e um olhar de quem olha
para o mundo como se fosse pela primeira vez.
[1] Fonte: BBC Mundo. Disponível em: http://catracalivre.com.br/geral/cidadania/.
Acesso realiza do em 20 de julho de 2013.