Ele passou perto de mim a 100 no 79 pisando alto e com respiração ofegante. Parecia estar nervoso e com pressa, com muita pressa. Confesso que fiquei meio assustado com seus movimentos bruscos. Enquanto se deslocava em direção ao motorista, ia batendo forte nos ombros dos passageiros e jogando um pequeno papel no colo deles, o meu caiu sobre o "O pequeno Principe". A comparação foi inevitável, aquela atitude não tinha nada haver com a de um príncipe. Fui forçado a interromper a leitura para fazer outras leituras a fim de compreender o que estava acontecendo ao meu redor. O pequeno papel sobre o livro foi esclarecedor. O homem que aparentava ter uns 43 anos, era surdo-mudo e estava pedindo uma pequena contribuição financeira. Não titubiei. Coloquei a mão no bolso da camisa e fiz a minha doação. Nem sempre tenho esta reação, pois, existe muito 71 solto por aí. Não sei se este era o caso daquele homem. O que sei é que enquanto recolhia apressadamente as notas e moedas, ele nem sequer olhava para seus ofertante. Nada! Não havia nada. Nenhum olhar, nenhum gesto, nenhuma gratidão. O surdo-mudo tinha uma terrível deficiência: ele só sabia pedir, não aprendeu a agradecer.