O escritor é uma espécie de artesão das
palavras, um artista, um semeador de ideias, um vendedor de sonhos, um viajante
que voa nas asas da liberdade, alguém que toca no coração das pessoas mesmo
quando seu coração não bate mais.
O “ser escritor” (não é o ser do
escritor) não é algo dado, pronto e acabado. Na verdade, ninguém nasce escritor, torna-se escritor. A habilidade de escrever é adquirida com a prática por meio do estudo,
leitura, observação e trabalho sistematizado. Normalmente, os
diários da época de adolescência caracterizam o início de um escritor.
Escrever é um
hábito, é como escovar os dentes ou pentear os cabelos. Encontre um jeito de
escrever todos os dias. Escrever é como caminhar, nadar, andar
de bicicleta, etc., é preciso movimentar-se. No caso da escrita, é preciso
movimentar os dedos, o cérebro, o corpo e a imaginação. Mecha-se! Não fique esperando uma grande ideia
ou uma inspiração chegar para começar a escrever. O escritor, em primeira e
última instância, precisa apenas de palavras. Se lhe faltarem as palavras, abra
um dicionário ou uma página qualquer de um jornal que elas aparecerão de
montão. A regra básica é: escreva, escreva, escreva, que as ideias surgirão
automaticamente. Você duvida?
Deixe-me contar uma experiência. Certa
feita, estava em uma oficina sobre Escrita Literária promovida pelo Sesc de
Cuiabá com a professora e escritora Noemi Jaffe. Ela propôs um exercício bem
simples. Dividiu a classe em vários grupo de cinco pessoas. Em cada grupo os
membros deveriam, cada um, escrever
cinco palavras aleatoriamente. Feito isto, as palavras foram misturadas de tal
forma que cada pessoa ficou com cinco palavras que não eram as suas. A tarefa
era que cada um de nós produzisse um pequeno texto a partir daí. Gente, fique
extasiado ao ver o resultado final: textos belíssimos e criativos. O que
aprendi com este exercício foi que, para escrever, o escritor precisa somente
de palavras, assim como o pintor necessita de suas tintas para pintar e o
músico de seu instrumento para tocar.