Todo escritor é antes um leitor. “A leitura do
mundo precede a leitura da palavra... e ambas formam a leitura da palavramundo”,
afirmou Paulo Freire[1]. Com isto, podemos
entender que o escritor deve ser alguém capaz de
ler não apenas palavras, frases, sentenças, orações, parágrafos, páginas,
livros, artigos, revistas, panfletos, jornais, etc. É preciso saber ler também olhares,
sorrisos, sentimentos, emoções, despedidas, silêncio, sustos, gritos, fisionomias, gestos, posturas, festas,
árvores, rios, mares, manchas de batom, arroz queimado, o movimento das pessoas
na rua, etc. Escrevendo para jovens escritores, Stela Maris de Rezende orienta:
Convêm andar pelas ruas da sua cidade, pelo menos três vezes por
semana, de preferência de tarde, para desanuviar a cabeça. Vez-ou-outra,
sentar-se num banco. Ou recostar-se a um balcão de padaria, pedir um pingado e
um bolo de milho. Observar os passantes. Ouvir a discussão de um casal é ótimo;
dá muita inspiração. Mas é preciso ser discreto, garantir um ar de quem está
muito longe dali. Isso é fácil, em geral o escritor tem esse ar de quem vive
longe, muito longe, vai estranho assim lá na China.[2]
O escritor precisa gostar de livros, de bibliotecas e de
livrarias. Falando a escritores, o renomado Ray Bradbury
orienta:
Vocês têm que se espreitar nas bibliotecas e escalar as pilhas como escadas
para cheirar livros como perfumes e usar livros como chapéus sobre suas cabeças
loucas.[3]
Quem lê bem, observa bem, escreve bem e fala bem. Leia todos os dias. Leia por prazer. Leia para
estudar, se informar, transformar, se libertar das amarras imaginárias que
limitam seu potencial.
Ser um
ótimo leitor significa prestar atenção ao modo como o texto se organiza, aos
recursos que o autor lança mão, às palavras que escolhe e às que abandona, em
como inicia e termina seu texto, às frases de transição, aos exemplos que cita,
à emoção que transmite às pessoas, etc.
Fica a dica.
[1] FREIRE, Paulo. A
importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 23 ed. São Paulo: Cortez, 1989, p.9.
[2] REZENDE, Stela Maris de. Esses livros dentro da gente: uma conversa com o jovem escritor.
2. ed. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2007. p. 40.
[3] http://dicasderoteiro.com/2012/09/25/conselhos
-de-escrita-de-ray-bradbury/.