A gentileza entre os homens (e inclusive na relação com os
animais) anda cada vez mais escassa, parece algo em extinção. Acompanhe algumas
constatações:
Nossos cumprimentos, na maioria das vezes, têm sido frios e
vazios. Temos substituído – quando muito - as saudações de “bom dia”, “boa
tarde”, “boa noite”, dentre outras, com um simples aceno de cabeça ou um movimento
com as mãos. Palavras como: “obrigado”, “perdoa-me”, “desculpa-me”, etc., parece
que estão saindo de cena e caindo em desuso para dar espaço a expressões como:
“valeu”, “foi mal” e outras semelhantes. Para muitos, atos de gentileza, de
educação e de civilidade beiram os limites da cafonice, da chatice e do
comportamento típico de pessoas “frescas”, frágeis e fracas. O que é
lamentável.
A impressão que tenho é que estamos aos poucos perdendo o
encanto de um abraço caloroso e do prazer de desfrutar sem pressa, de uma
conversa amigável. Tenho notado pessoas mais tristes e sentidas pelo fato de,
temporariamente, não poderem ter acesso às redes sociais do que pela mudança
geográfica definitiva de um amigo (a) próximo (a). O homem já foi à lua, mas temos dificuldades
de atravessar a rua para dar as boas-vindas ao novo vizinho que acabou de
chegar. Isto é gentileza! Até quando
viveremos com medo de ajudar aqueles que estão em uma situação inferior a
nossa?
A gentileza no olhar é produto em falta nas prateleiras da
política da boa vizinhança. Multiplicam-se olhares carregados de malícia, de
inveja, de soberba, de orgulho, etc. E, quanto a gentileza no falar? Essa nem
te falo. Palavras de baixo calão, apelidos que denigrem e machucam, sentenças
de morte e de maldição, é o que sobressai, é o que prevalece. Ou estou
equivocado? Quer assistir a um espetáculo de indelicadeza e de falta de
respeito? Vá a um estádio e assista a uma partida de futebol de preferência,
entre dois times rivais. Falando nisto, nossa presidente foi vaiada e xingada
diante dos olhares do mundo. O que assistimos na abertura da Copa do Mundo no
Brasil, em 2014, foi de uma indelicadeza sem precedência na história. Não sou
contra o protesto, e sim, a forma como ele é feito.
Por uma cultura de gentileza, já!