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QUAL A RELAÇÃO DE UMA VACA COM UMA POESIA?


Poesia serve exatamente para a mesma coisa que serve uma vaca no meio da calçada de uma agitada metrópole. Para alterar o curso do seu andar, para interromper um hábito, para evitar repetições, para provocar um estranhamento, para alegrar o seu dia, para fazê-lo pensar, para resgatá-lo do inferno que é viver todo santo dia sem nenhum assombro, sem nenhum encantamento.

Martha Medeiros

TIRE SUAS MEIAS


Meias verdades
Meias vontades
Meias saudades
Viver pela metade é ilusão
Tire suas meias

Ponha o pé no chão.


Augusto Barros

AMIGOS DE INFÂNCIA

Feche os olhos por um instante e tente encontrá-los.
Eles estão lá, guardados em algum cantinho de sua memória.
Talvez soterrados sob a poeira do tempo.
Remova as camadas de pó que você irá encontrá-los todos lá.

Amigos de infância...
Vejo-os correndo, gritando, fazendo a maior algazarra.
Parecem muito felizes. Mas eles não sabem disso.
Penso que seja melhor assim.

Ouça suas gargalhadas. Crianças riem por qualquer motivo.
Quem nunca teve um amigo risonho? 
Ouça-os um pouco mais

Observe de longe: Os meninos estão brincando com os meninos.
E as meninas com as meninas. E quando se encontram?
Bem, deixa esta história prá lá.

OBRIGADO PELA POESIA

Ensinar, encantar, inspirar, motivar,
cooperar, sensibilizar, admoestar, brincar,
exortar, levantar, chorar, abraçar, sorrir, amar...

Tudo isso encontramos em um "pequeno" 
vaso usado por DEUS para derramar em
nossas vidas sentimentos profundos,
desejos ávidos, fome insaciável, sede incensante
em conhecer mais o infinito, incalculável, imensurável
e profundo amor de DEUS.

Pastor, professor, escritor e mestre,
obrigada por despertar e depositar
todos estes sentimentos em nós.

Patrícia Furtado

POESIA: A CHUVA

A chuva cai
Dança no ar
Faz firula
Se esvai


Rola

Embola
Bate contra a gente
Faz até enchente

A chuva nos convida para cantar
Ela nos tira para dançar
A chuva faz um fundo pra gente poetizar

Eu penso

Eu poetizo
Eu me exijo

A chuva molha minha alma

Ela me acalma
Chove lá fora
Goteja aqui dentro, dentro de mim

Valmir Ferreira 

CHUVA BOA

Gosto do cheiro de chuva
Da terra molhada
E do barulho que ela faz

Gosto de tomar banho na chuva
Gosto de jogar bola na chuva
Gosto de dançar na chuva
Gosto de abraçar a chuva
Gosto de comer bolinhos de chuva

Gosto quando a chuva é boa
Chuva boa brinca com a gente
Chuva ruim acaba com a brincadeira da gente
Chuva boa não deixa a gente doente
Chuva ruim destrói a casa da gente

Se eu fosse chuva queria ser chuva boa
Chuva que rega a terra e germina a semente
Chuva que alegra os passarinhos
E faz com que as pessoas se aproximem
Chuva boa, chuva inocente. 

A CHUVA

A chuva cai
Dança no ar
Faz firula
Rola
Embola
Bate contra a gente
Faz até enchente

A chuva nos convida para cantar
Ela nos tira para dançar
A chuva faz um fundo para os homens pensarem
Eu penso
Eu poetizo
Eu me exijo

A chuva molha minha alma
Ela me acalma
Chove lá fora
Goteja aqui dentro, dentro de mim.


Valmir Ferreira, Cuiabá, 12 de abril de 2014, ao som da chuva que fecha o verão...

Sons da minha infância

O estalar da língua no céu da boca
A tosse teimosa de minha avó
A buzina do leiteiro ao portão
Os gravetos estourando no fogão a lenha
O bife fritando na frigideira
A pipoca pulando na panela de pressão

O vento soprando na janela do meu quarto
A chuva caindo no telhado
A goteira da torneira no tanque de pedra
O zunido da vassoura de piaçava varrendo o quintal
Os sons da cigarra, dos grilos e dos bem-te-vis
O escorregar do escovão sobre o piso de vermelhão